Quando a Paisagem Ganha Voz: Uma leitura de Solo da Cana, de Izabel de Barros Stewart

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5281/zenodo.22016636

Palavras-chave:

interpretação da paisagem, território, turismo

Resumo

A possibilidade de a paisagem tornar-se sujeito da narrativa constitui uma das mais instigantes inflexões das humanidades ambientais contemporâneas. Publicado em 2025, Solo da Cana, de Izabel de Barros Stewart, insere-se nesse debate ao conferir voz à cana-de-açúcar e transformar a dramaturgia em um exercício de interpretação da paisagem. Esta resenha analisa como a obra desloca a natureza da condição de recurso para a de sujeito de memória, linguagem e ação, articulando críticas à colonialidade, à lógica da plantation e à mercantilização dos territórios. Em diálogo com os estudos da paisagem, das abordagens multiespécies, do ecofeminismo e do turismo, argumenta-se que a peça materializa uma compreensão relacional da paisagem, na qual humanos e não humanos compartilham agência, memória e responsabilidades éticas. Sustenta-se que sua principal contribuição ultrapassa a denúncia das permanências coloniais ao propor, por meio da arte, uma reeducação da sensibilidade fundada na escuta da paisagem. Conclui-se que Solo da Cana amplia o horizonte crítico dos estudos do turismo ao oferecer uma forma de ler, interpretar e reencantar os territórios, reafirmando a peça como uma potente via de produção de conhecimento sobre as relações entre sociedade, natureza, paisagem e turismo.

Biografia do Autor

  • Junia Borges, Universidade Federal do Maranhão

    Professora Adjunta do Curso de Turismo da Universidade Federal do Maranhão (UFMA).

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Publicado

21.08.2026

Edição

Seção

Resenhas

Como Citar

Quando a Paisagem Ganha Voz: Uma leitura de Solo da Cana, de Izabel de Barros Stewart. (2026). REVISPATTTUR - Revista De Turismo: Patrimônios, Territórios Descoloniais E Trabalho, 4(1), 84-91. https://doi.org/10.5281/zenodo.22016636