O legado incerto das parteiras das comunidades tradicionais do Território da Bocaina
DOI:
https://doi.org/10.70597/vozes.v11i23.1336Palavras-chave:
Parto, interculturalidade, diversidade cultural, parteira tradicional, identidade culturalResumo
O parto nas comunidades tradicionais antigamente era realizado por parteiras locais, as quais tinham saberes ancestrais que eram passados de geração em geração. com o passar dos anos o parto dessas mulheres passaram a ser realizados em hospitais e essa prática acabou por ser desvalorizada, sendo realizadas somente em casos de necessidade e emergência. O objetivo deste é descrever como parteiras das comunidades tradicionais do território da Bocaina, estão passando seus conhecimentos para as futuras gerações. Trata-se de uma pesquisa descritiva, exploratória com abordagem qualitativa. Tendo como cenário os municípios de Angra dos Reis, Paraty e Ubatuba, situados no território da Bocaina, onde existem comunidades tradicionais caiçaras, indígenas e quilombolas, que possuem relações históricas e culturais que as integram. As participantes da pesquisa são mulheres do território da Bocaina que assistem partos, que se reconhecem ou são reconhecidas como parteiras pela sua comunidade. Os resultados apontaram que as parteiras destes territórios pelo contexto social atual possuem a incerteza da passagem do seu legado cultural para as novas gerações. Conclui se que é de suma importância que essas parteiras sejam valorizadas, tendo reconhecimento histórico, legal e cultural, como forma de fortalecimento do oficio, e assim seus conhecimentos não tenham um destino incerto dentro de suas comunidades.
Referências
BARROSO, I. C. “Capacitação” de parteiras tradicionais do Amapá: tensões entre incorporação de saber médico e resistência cultural na prática de partejar, 2017.230 f. color. Tese (doutorado) – Universidade Federal do Ceará, Centro de Humanidades, Programa de Pós-Graduação em Sociologia, Fortaleza, 2017.
BRASIL. Livro da parteira tradicional. Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. – 2. ed. rev. ampl. – Brasília: Ministério da Saúde, 2012.
BRASIL. Parto e nascimento domiciliar assistidos por parteiras tradicionais: o Programa Trabalhando com Parteiras Tradicionais e experiências exemplares/ Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde. – Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 2010.
BRASIL. Decreto nº 6.040, de 7 de fevereiro de 2007. Institui a Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais. Brasília, 7 de fevereiro de 2007
GALLO, E. NASCIMENTO, V. (ORG.) O território pulsa: territórios sustentáveis e saudáveis da Bocaina: soluções para a promoção da saúde e do desenvolvimento sustentável territorializados. Paraty, RJ: Fiocruz, 2019.
GOMES, S. C. ET AL. História oral como método para a compreensão do ofício das parteiras do semiárido brasileiro. Texto Contexto Enferm, 27(3) 2018.
GUERRA L. A. Os significados de caipira. Tempo Social, revista de sociologia da USP, v .34, n.2, 2022.
HALL, Stuart A identidade culttffal na pós-modernidade 11. ed. -Rio de Janeiro: DP&A, 2006.
INSTITUTO CHICO MENDES DE CONSERVAÇÃO DA BIODIVERSIDADE (ICMBIO).Plano de manejo da Área de Proteção Ambiental de Cairuçu. Paraty – Rio de Janeiro, 2018.
JANETSKY, Megan. Para salvar vidas, parteiras misturam herança maia com medicina ocidental. NATIONAL GEOGRAPHIC, 5 abr. 2022.
KRETZMANN, C. G. Multiculturalismo e diversidade cultural: Comunidades tradicionais e a proteção do patrimônio comum da humanidade. Tese (Mestrado) Programa de Mestrado em direito, Universidade de Caxias do Sul - UCS, 2007.
MOUTA, Ricardo José Oliveira. A criação da Associação Brasileira de Obstetrizes e Enfermeiros Obstetras (ABENFO) e sua participação no Movimento de Humanização do Parto e Nascimento (1989-2002). 2014. 271 f. Tese (Doutorado em Enfermagem) - Faculdade de Enfermagem, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2014
NASCIMENTO, Raysa; CARDOSO, M. A. S. O dom e a dádiva entre parteiras do Amapá: uma abordagem etnográfica. Scielo, v. 28, ed. 1, p. 235 - 249, 2019. DOI 10.1590/S0104-12902019170010.
NOGUEIRA, B. V. N.; SILVA, N. R. P. O legado de Parteiras Tradicionais: memórias e saberes de mãe Xanda no Município de Lafaiete Coutinho – BA. Anais do III Congresso Internacional e V Congresso Nacional de Movimentos Sociais e Educação, 2021
OLIVEIRA, R.S; PERALTA, N; SOUSA, M. J. S. As parteiras tradicionais e a medicalização do parto na região rural do Amazonas. Sexualidad, Salud y Sociedad - Revista Latinoamericana. n. 33 - dic. / dez. / dec- pp.79-100, 2019.
PEREIRA, M.S. Associação das Parteiras Tradicionais do Maranhão: relato da assistência ao parto. Saúde Soc. São Paulo, v.25, n.3, p.589-601, 2016.
SCHWEICKARDT, Júlio Cesar et al, (org.). PARTEIRAS TRADICIONAIS: conhecimentos compartilhados, práticas e cuidado em saúde. 1ª edição. ed. Porto alegre/RS: Editora redunida, 2020. 278 p. v. 11.
TRAVANCAS, L, J. VARGENS, O. M. C. Fatores geradores do medo do parto: revisão integrativa. Rev. Enferm. UFSM - REUFSM, Santa Maria, RS, v. 10, e96, p. 1-24, 2020.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
A Revista proporciona acesso público - Open Access - a todo seu conteúdo protegidos pela Licença Creative Commons (CC-BY).








