Epidemiologia e Microbiologia da Peri-implantite

Autores

  • Francisco Halânio Mendonça Leite Universidade Federal de Rondônia – UNIR
  • Profª. Drª. Ana Lúcia Escobar Universidade Federal de Rondônia – UNIR
  • Prof. Dr. Denildo de Magalhães Univerdidade Federal de Uberlândia – UFU

Palavras-chave:

Epidemiologia, Infecção Bacteriana, Peri-implantite

Resumo

Atualmente, o uso dos implantes dentários osseointegrados tem aumentado com o passar dos anos, sendo realidade na alternativa para reabilitação bucal. Apesar deste procedimento alcançar altos índices de sucesso, há motivos que o levam ao fracasso, sendo motivos de preocupação para quem o executa. Há três importantes possibilidades que podem levar ao insucesso: trauma cirúrgico, sobrecarga oclusal e infecção bacteriana. A peri-implantite é uma contaminação bacteriana da superfície do implante dentário osseointegrado em função, causando a perda progressiva do osso que o envolve, avançando à perda deste implante dentário. A principal causa da peri-implantite é a infecção bacteriana por isso a importância de que seja diagnosticada precocemente e tratada com eficácia. A proposta do presente trabalho foi diagnosticar e determinar a prevalência da periimplantite, doença correspondente a periodontite, e relacionar quais bactérias cultiváveis estão envolvidas no desenvolvimento de infecções ao redor dos implantes dentários. A fim de quantificar os parâmetros peri-implantares, 150 indivíduos com implantes dentários reabilitados a mais de 2 anos, de ambos os gêneros foram submetidos à exames intra-bucais através de sondagem, com sonda milimetrada de teflon Hu-friedy® para verificar a profundidade de bolsa periimplantar . Todos os indivíduos diagnosticados com peri-implantite foram submetidos a uma radiografia periapical da região para observação do nível ósseo radiográfico ao redor do implantes. Para identificação das espécies de bactérias foi utilizada a cultura bacteriana com provas bioquímicas. Todas as coletas apresentaram bactérias cultiváveis que foram isoladas e identificadas em gêneros e espécies. Entre os implantes diagnosticados com peri-implantite (n= 35) correspondendo à uma prevalência de 9,7%, a sondagem peri-implantar variou de 5 a 13 milímetros, tendo como média 8 milímetros; e 66% apresentaram imagem radiográfica em forma de taça sugerindo perda óssea ao redor dos implantes. Os microrganismos cultivados com maior frequência nas regiões peri-implantares nesta pesquisa foram: Porphyromonas gingivalis, Prevotella intermedia/nigrescens/tannerae, Gemella morbillorum, Fusobacterium nucleatum, Parvimonas micra. Esta pesquisa utilizou o Microsoft Excel 2010 na estruturação do banco de dados e a análise estatística foi realizada com o programa SPSS 20 (Statistical Package for Social Sciences). A periimplantite é uma doença que tende a aumentar de acordo com o uso mais frequente destes implantes, e no atual estudo a sua presença não está ligada as características individuais do paciente, como sexo, faixa etária, quantidade de implante, grau de escolaridade, profissão. Provavelmente, pelos resultados obtidos neste estudo podemos supor que a peri-implantite possa estar relacionada as características dos tecidos peri-implantares, a capacidade de higienização e controle de placa bacteriana ao redor dos mesmos, e, à colonização dos tecidos periimplantares com bactérias periodontopatogênicas, que se tornam também nocivas aos implantes.

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Publicado

01-05-2015

Como Citar

Halânio Mendonça Leite, F., Lúcia Escobar, A., & de Magalhães, D. (2015). Epidemiologia e Microbiologia da Peri-implantite. evista ozes os ales: Publicações cadêmicas, 4(7), 49. ecuperado de https://revistas.ufvjm.edu.br/vozes/article/view/945