Avaliação e mapeamento de riscos socioambientais: quem está vulnerável?
DOI:
https://doi.org/10.70597/vozes.v9i18.1482Keywords:
Vulnerabilidade, Suscetibilidade, Áreas de RiscoAbstract
Estudos e avaliações dos riscos socioambientais, há décadas desenvolvidos por pesquisadores de diversas áreas do conhecimento, resultaram em acúmulo de amplo acervo bibliográfico, especialmente no que diz respeito ao mapeamento dos riscos relacionados aos escorregamentos e inundações. Nesse contexto, destacam-se a suscetibilidade e vulnerabilidade a estes fenômenos, sobretudo, em ambientes urbanos, haja vista o quantitativo de pessoas potencialmente expostas aos fenômenos. Por outro lado, a interpretação dos conceitos de risco, dentre outros fundamentais para produção deste conhecimento, apresenta distinções na literatura, muito em função de sobreposições linguísticas ou por propostas oriundas de diferentes áreas do conhecimento. Raramente divergentes, estes conceitos tendem a se complementar, e sistematizar, discutir e avaliar distintas concepções do significado de suscetibilidade, vulnerabilidade e risco é objetivo deste trabalho, o qual busca apontar convergências que subsidiem parametrizar e estabelecer o uso e significado destes conceitos. Como resultado, tanto em função das dissensões quanto das interpretações conciliatórias, o conceito de risco passou por diferentes interpretações ao longo de décadas de pesquisa, estando a avaliação da suscetibilidade e da vulnerabilidade como indispensáveis para sua avaliação e mapeamento. Imperativo é não apenas identificar fenômenos aos quais estão expostas as populações, mas também compreender como estas populações podem ser afetadas pelos fenômenos. Subjugar a importância da suscetibilidade é erro de análise, bem como se faz necessário cuidado para não acentuar o papel da vulnerabilidade.
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