Quando a Literatura Brasileira lê Miguel de Cervantes: uma proposta didática para aprendizes de espanhol como língua estrangeira1
DOI:
https://doi.org/10.70597/vozes.v8i16.1528Keywords:
Educação, Literatura Estrangeira, Miguel de Cervantes, Dom Quixote de la Mancha, Orígenes LessaAbstract
O presente trabalho objetiva apresentar uma proposta didática para aprendizes de espanhol como língua estrangeira que cursam disciplinas de literatura estrangeira no Bacharelado em Humanidades da Faculdade Interdisciplinar em Humanidades (UFVJM). Como docente do Curso de Letras-Português e Espanhol que leciona disciplinas da área de espanhol no BHu, percebe-se enorme dificuldade dos alunos de acompanharem a leitura de obras literárias provenientes de países onde o espanhol é a língua oficial, pois falta-lhes, além do domínio da língua, arcabouço histórico-cultural para acompanhar a leitura de tais obras. Uma das estratégias adotadas em sala de aula tem sido a utilização de releituras, traduções e adaptações de obras estrangeiras realizadas por escritores e poetas da literatura brasileira, que, ou releram essas obras em suas próprias criações (como é o caso de Murilo Mendes, João Cabral de Melo Neto e Ariano Suassuna que releram Miguel de Cervantes em suas obras), ou ofereceram belas traduções e adaptações para o grande público nacional, de modo a formar o jovem leitor. Uma dessas obras é a que fez Orígenes Lessa (1903-1986), que escreveu seu Dom Quixote destinado a esse público. Faz parte da Coleção Clássicos da Literatura Juvenil da Editora Ediouro (Rio de Janeiro, 2005). Nossa proposta baseia-se na leitura da obra em português, com posterior seleção de episódios em espanhol. A metodologia complementa-se com a apreciação de outras obras artísticas, provenientes das Artes Plásticas, Gráficas e da Música. Quadros a óleo, caricaturas, ilustrações de edições passadas do Dom Quixote e até obras musicais fazem parte da nossa proposta didática. Espera-se, com isso, que o ensino de literatura estrangeira na Universidade seja mais do que um mero pretexto para o ensino de língua estrangeira: que faça parte da formação da própria personalidade do aluno, que inclui o bacharelando em Humanidades. Conforme os grandes pensadores, “O homem só tem uma força, e essa força chama-se personalidade” (Goethe), e isso se conquista, principalmente, pelo correto e amplo acesso aos grandes clássicos da Literatura.
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