Antirracismo e educação: Interfaces e experiências educativas de afrodescendentes em Pirapora-MG na implementação da Lei 10.639/2003
DOI:
https://doi.org/10.70597/vozes.v9i17.1521Palavras-chave:
Racismo, Educação antirracista, Narrativa, MemóriaResumo
Esse artigo se configura como parte dos estudos que venho desenvolvendo no curso de Doutorado em Educação, na Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG) e analisa os mecanismos de sustentação do racismo e propõe entender os elementos que reafirmam ou dissimulam a sua presença na sociedade brasileira, tratando a especificidade do Instituto Federal do Norte de Minas Gerais, Campus Pirapora. Nessa perspectiva, perscrutaremos as origens e especificidades conjunturais e estruturais do racismo no seio da referida instituição na tentativa de entender a sua permanência através dos tempos como um processo de longa duração histórica. Por assim dizer, será apresentada a partir de debates e interlocuções com a Filosofia, as Ciências Sociais e Humanas, uma breve história da presença negra no Brasil, que destacará como ponto de partida a diáspora, perpassando pelas justificativas cientificistas do final do século XIX, no propósito de (re) discutir o conceito de “raça” para a antropologia cultural e analisar como o preconceito racial no Brasil se configura como um elemento de longa duração que se assenta no “mito da democracia racial” Freyreana. Trata-se, sobretudo, de um estudo qualitativo, de bases orais e narrativas e de teor etnometodológico. Pretende-se, outrossim, registrar memórias orais de sujeitos protagonistas de histórias de preconceitos, trazendo vozes historicamente silenciadas para o debate crítico e acadêmico. Nessa perspectiva, alunos e alunas negras são sujeitos a narrarem suas próprias histórias, chamados a nos contar suas experiências de vida em relação ao ensino público federal num contexto de forte tradição afro-brasileira. Partindo desse pressuposto, buscamos compreender como a dimensão étnico-racial se apresenta e se articula a outros aspectos e dimensões de contextos de vida em sociedade, assim como influencia suas estratégias e modos se perceber a si mesmo e a outros negros/as no corpo sócio educacional. Com base nas discussões acima citadas, serão oferecidos alguns apontamentos que focalizarão a Educação antirracista como proposta de superação do racismo na nossa sociedade e uma análise do suporte que a Educação, pautada no campo das interpelações subjetivas, pode contribuir como ação efetiva de transformação da realidade social, alicerçada no respeito às diferenças e na diversidade étnicocultural, pautada na defesa da igualdade racial.
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