Fitossítios: protocolo metodológico para mapeamento de áreas de alto valor para conservação

Autores

  • Luciano Cavalcante de Jesus França
  • Jacqueline Bonfim e Cândido
  • Danielle Piuzana Mucida
  • Luis Filipe Azevedo Curto Sousa Lopes
  • Antônio Alberto Jorge Farias Castro
  • Vicente Toledo Machado de Morais Junior

DOI:

https://doi.org/10.5281/zenodo.17381949

Palavras-chave:

Biodiversidade, Biologia Vegetal, Densidade de Kernel, Manejo de Ecossistemas, Manejo da Paisagem

Resumo

O termo "fitossítio" refere-se a unidades funcionais da paisagem vegetal dotadas de identidade ecológica própria. Estas unidades estão associadas à predominância ou exclusividade de uma determinada espécie botânica ou grupo funcional, desempenhando um papel estratégico na conservação da natureza. Este estudo apresenta a primeira proposta metodológica para a identificação e espacialização geográfica de fitossítios, utilizando dados de campo e análise geoespacial. O estudo de caso foi realizado no Parque da Matinha, em Monte Carmelo, Minas Gerais, onde espécies vegetais indicadoras como Cyathea delgadii, Langsdorffia hypogaea e Taccarum peregrinum foram empregadas para definição dos fitossítios. A abordagem proposta visa fornecer subsídios técnicos à conservação ambiental de espécies da flora e seus ecossistemas associados. Além disso, a metodologia se alinha a compromissos globais de sustentabilidade ambiental, como a criação de novas Unidades de Conservação, os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), o Acordo de Paris e a Campanha “Race to Zero”, demonstrando seu potencial estratégico no enfrentamento à crise climática e na redução da perda da biodiversidade.

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03/07/2026

Como Citar

França, L. C. de J. ., Cândido, J. B. e ., Mucida, D. P. ., Lopes, L. F. A. C. S. ., Castro, A. A. J. F. ., & Junior, V. T. M. de M. . (2026). Fitossítios: protocolo metodológico para mapeamento de áreas de alto valor para conservação. evista Espinhaço, 16(1). https://doi.org/10.5281/zenodo.17381949

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