A relevância do pensar reflexivo e sua tradução na ação humana

Autores

  • Camila Silva de Paulo Federal University of São João del-Rei image/svg+xml
  • José Luíz de Oliveira Federal University of São João del-Rei image/svg+xml

DOI:

https://doi.org/10.70597/vozes.v9i18.1483

Palavras-chave:

Banalidade, Mal, Pensamento, Totalitarismo, Julgamento

Resumo

A faculdade do pensar é uma temática profundamente abordada por Arendt em sua obra A Vida do Espírito, no entanto, é ao analisar o julgamento de Eichmann, o partidário do regime totalitário nazista responsável por conduzir milhares de judeus à morte, que ela corroborará as implicações do processo de pensamento reflexivo ou sua ausência. Numa análise dos fatos que poderiam ter levado, não somente Eichmann, mas qualquer um a cometer atos atrozes e inimagináveis, a filósofa alemã pondera sobre as origens e bases necessárias para a instauração de um sistema totalitário na sociedade. Discorrendo pormenorizadamente desde o processo de massificação do homem até o momento da obtenção de soldados com obediência ‘cega e cadavérica’, a pensadora elabora conceitos e análises de suma importância. O conceito de banalidade do mal associado à incapacidade de pensar, desenvolvido pela autora frente às análises do julgamento de Eichmann, irá configurar a ideia de que a faculdade do julgar se encontra diretamente ligada à faculdade do pensar: se o que se objetiva é um julgamento comedido, sensato e consequentemente sábio, e não um julgamento com bases na alienação. A faculdade do pensar em seu caráter reflexivo é tal que pode levar o homem a melhor julgar, e, dessa forma, abster-se de cometer o mal.

Biografia do Autor

Camila Silva de Paulo, Federal University of São João del-Rei

Bacharela em Filosofia pela Universidade Federal de São João del Rei – UFSJ
http://lattes.cnpq.br/1436361889234626
E-mail: camilasilva90@yahoo.com.br

José Luíz de Oliveira, Federal University of São João del-Rei

Docente do Departamento de Filosofia e Métodos
Universidade Federal de São João del Rei - UFSJ
http://lattes.cnpq.br/6211463254144153
E-mail: jlos@ufsj.edu.br

Referências

ABBAGNANO, Nicola. Dicionário de Filosofia. Tradução coordenada e revista Alfredo Bossi. Revisão da tradução e tradução dos novos textos Ivone Castilho Benedetti. 5. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2007.

AGUIAR, Odílio Alves. A beleza como critério de julgamento da política segundo Hannah Arendt. In: Poder e moralidade: o totalitarismo e outras experiências antiliberais na modernidade. Organizador José Mauricio de Carvalho. São Paulo: Annablume, 2012: 149 – 166.

ALIANI, Hérnan. Una objeción a Hannah Arendt sobre Eichmann y el pensar. Cuadernos Filosóficos-Segunda Época. Homo Sapiens Ediciones, 2012.

AMARO, Diogo Ribeiro de Amorim Palma. Hannah Arendt e o contexto do totalitarismo no século XX. P,11

AMIEL, Anne. Hannah Arendt Política e Acontecimento. Tradução Sofia Mota. Lisboa: Instituto Piaget, 1996.

ARENDT, Hannah. The Human Condition. Chicago, Univ. of Chicago Press, 1958. Ed. Alemã: Vita Activa oder von tätigen Leben.Stuttgart, Kohlhammer, 1960. Trad. Francesa Dr.

George Fradier: La condition de I’ homme moderne. Paris: Calmann-Lévy, 1961 (reedição em 1983 com Prefácio de Paul Ricoeur).

______. Da Revolução.2. ed. Tradução Mauro W. Barbosa de Almeida. São Paulo: Ática; Brasília UnB, 1988.

______. Lições Sobre a Filosofia Política de Kant. Tradução André Duarte de Macedo. Rio de Janeiro: Relume-Dumará, 1993a.

______. A Dignidade da Política. Tradução Helena Martins Frida Coelho, Antônio Abranches, César Almeida, Cláudia Drucker e Fernando Rodrigues. Rio de Janeiro: RelumeDumará, 1993b.

______. Da violência. Tradução Maria Claudia D. Trindade. Brasília: Ed. da UnB, 1994.

______. Eichmann em Jerusalém: Um Relato Sobre a Banalidade do Mal. São Paulo: Companhia das Letras, 1999.

______. Responsibility and Judgment. New York: Schocken Books, 2003.

______. Homens em tempos sombrios. Tradução Denise Bottmann. São Paulo: Companhia das Letras, 2008.

______. Entre o Passado e o Futuro. 2. ed. Tradução Mauro W. Barbosa. São Paulo: Perspectiva, 2009a.

______. A vida do Espírito. Tradução César Augusto, Antônio Abranches e Helena Martins. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2009b.

______. Crises da República. Tradução José Wolkman. São Paulo: Perspectivas, 2010. ______. Origens do Totalitarismo. Tradução Roberto Raposo. São Paulo: Companhia das Letras, 2012a.

______. O que é política? Tradução Reinaldo Guarany. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil. 2012b.

______. A Condição Humana. Tradução Roberto Raposo. Revisão Adriano Correia. Rio de Janeiro: Forense Universitária. 2014.

BIGNOTTO, Newton. Hannah Arendt e a Revolução Francesa. Rio de Janeiro: Puc Rio, 2011.

______. Totalitarismo e liberdade no pensamento de Hannah Arendt. Organizadores: Eduardo Jardim de Moraes, Newton Bignotto. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 2001.

DUARTE, André. A dimensão política da filosofia kantiana segundo Hannah Arendt. Rio de Janeiro: Relume-Dumará, 1993.

FRANK, Anne. O diário de Anne Frank. Rio de janeiro: Record, 2014.

GASMAN, Gabriel. Los Campos de Concentración. Marid-Espanha: Edimat, 2012.

KANT, Immanuel. Crítica da Razão Pura. Tradução Lucimara A. Coghi e Fulvio Lubisco. São Paulo: Martin Claret, 2009.

LAFER, Celso. A Reconstrução dos Direitos Humanos. Um Diálogo como Pensamento Político de Hannah Arendt. São Paulo: Companhia das Letras, 1991.

MULLER, Maria Cristina. Hannah Arendt: por amor ao mundo. Londrina: Universidade Federal de Londrina, 2013.

OLIVEIRA, Francisco de; SILVA Maria de Fátima. O Teatro de Aristófanes. Coimbra: Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, 1991.

OLIVEIRA, José Luiz. Totalitarismo versus fundação da liberdade política no pensamento de Hannah Arendt. In: Poder e moralidade: o totalitarismo e outras experiências antiliberais na modernidade. Organizador José Mauricio de Carvalho. São Paulo: Annablume, 2012: 167 – 188.

PASSOS, Fábio Abreu dos. Política e Filosofia na Perspectiva Arendtiana: a pluralidade humana antecipada no dois-em-um socrático. O futuro entre o passado e o presente. Instituto Superior de Filosofia Berthier (IFIBE), 2012.

______. A Faculdade do Pensamento em Hannah Arendt: Implicações Políticas. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2017.

SILVA, Elivanda de Oliveira e SOUZA, Heberth de Paulo. Uma Leitura Republicana da Obra de Hannah Arendt. Organizadora Cristina Muller. Londrina: Universidade Federal de Londrina, 2013: 79 - 88.

SOUZA, Vinícius Silva de. O conceito de liberdade de Hannah Arendt. In: Hannah Arendt: Entre o Passado e o Futuro. Organizador: Newton Bignotto. Belo Horizonte: UFMG: 2008: 116 – 127.

SÁNCHEZ, Richard Suárez. La Liberdade Política: Elementos Históricos y Debate.Cuadernos de Ética y Filosofía Política, Lima: Vital Press S.A.C., 2014: 83 – 90.

SANTILLÁN, Miguel Ángel Polo. Ética y Política. Hitos Históricos de una Relación. Cuadernos de Ética y Filosofía Política. Lima: Vital Press S.A.C., 2014 123 – 144.

SCHIO, Sônia Maria. Hannah Arendt História e Liberdade – Da ação à reflexão. Porto Alegre: Clarinete, 2012.

SOUZA, Neto, Bezamat de. Contribuición y Elementos para un metamodelo emprendedor brasileño: el emprendedorismo por necesidad del “rebuscador”.Medellín: Corporación Universitária Remington, 2013.

TELES, Edson. Ação Política em Hannah Arendt. São Paulo. Barcarolla Ltda, 2013

TOCQUEVILE, Alexis. A Democracia na América. Tradução J. A. G. Albuquerque. São Paulo: Abril Cultural. 1973. (Os Pensadores).

Downloads

Publicado

01-10-2020

Como Citar

DE PAULO, . S. .; DE OLIVEIRA, J. L. . A relevância do pensar reflexivo e sua tradução na ação humana. Revista Vozes dos Vales: Publicações Acadêmicas, [S. l.], v. 9, n. 18, p. 26, 2020. DOI: 10.70597/vozes.v9i18.1483. Disponível em: https://revistas.ufvjm.edu.br/vozes/article/view/1483. Acesso em: 14 abr. 2026.

Edição

Seção

Artigos